Um colega sentado sozinho no banco da escola. Um amigo que recebeu um presente e não gostou muito, mas não quer magoar quem deu. Uma criança que só queria um tempinho sozinha para brincar. Situações pequenas como essas acontecem o tempo todo na infância — e são também pequenas oportunidades de praticar a empatia.

Este guia reúne cinco histórias infantis originais sobre empatia, cada uma acompanhada do Mapa da Empatia, um recurso simples para ajudar a criança a imaginar como o outro pode estar se sentindo, sem exigir uma única resposta certa.

Resposta direta

Empatia é a capacidade de perceber e considerar os sentimentos de outra pessoa, mesmo quando eles são diferentes dos nossos. Para uma criança, isso não significa concordar com tudo ou colocar as necessidades do outro sempre acima das próprias, mas sim reconhecer que cada pessoa também sente e pensa de um jeito próprio. Histórias infantis podem ajudar a apresentar diferentes perspectivas de forma concreta e abrir espaço para conversar sobre sentimentos, cuidado e atenção ao outro.

O que é empatia e como explicar esse sentimento para uma criança?

Empatia é perceber que o outro também tem sentimentos

De forma simples, empatia é notar que a outra pessoa também sente coisas — alegria, tristeza, medo, vergonha — mesmo quando esses sentimentos não são exatamente iguais aos nossos.

Cada pessoa pode enxergar a mesma situação de uma maneira diferente

Duas crianças podem viver a mesma cena e sentir coisas completamente diferentes. Ajudar a criança a perceber isso é um passo importante para desenvolver empatia.

Empatia não significa concordar com tudo

É possível entender por que alguém está chateado ou agiu de determinado jeito sem necessariamente concordar com a atitude dele. Compreender um sentimento é diferente de aprovar um comportamento.

Por que as histórias ajudam a conversar sobre empatia?

Personagens ajudam a criança a observar diferentes perspectivas

Uma história pode mostrar a mesma situação sob o olhar de mais de um personagem, ajudando a criança a exercitar a troca de perspectiva de um jeito natural.

A história cria uma distância segura para falar sobre sentimentos

Conversar sobre o que "o personagem sentiu" costuma ser mais leve do que analisar diretamente uma situação pessoal da criança, o que facilita a reflexão sem deixá-la exposta.

Perguntas depois da leitura transformam a narrativa em conversa

Sem perguntas, a história é só uma história. Com algumas perguntas simples, ela pode virar um convite genuíno para pensar sobre o outro.

5 histórias infantis sobre empatia para ler com as crianças

As histórias abaixo são originais e podem ser contadas como estão, adaptadas com outros nomes e detalhes, ou usadas como inspiração.

1. O Lugar Vazio no Banco da Escola

O Lugar Vazio no Banco da Escola, criança se aproximando de um colega sentado sozinho.

Todos os dias, na hora do recreio, Rafael via um menino novo sentado sozinho no banco perto da quadra, sem falar com ninguém. Rafael sempre pensava em ir lá, mas ficava com um pouco de vergonha e acabava só observando de longe, brincando com os amigos de sempre. Um dia, ao notar que o menino olhava para o chão, cabisbaixo, decidiu se aproximar: "Posso sentar aqui?" O menino, surpreso, disse que sim, meio hesitante no começo. Aos poucos, começaram a conversar sobre um desenho animado que os dois gostavam, e o banco vazio deixou de estar vazio.

Mapa da Empatia

  • O que aconteceu? Um menino novo estava sozinho, sem ninguém para conversar.
  • O que o personagem sentiu? (Do ponto de vista do menino novo) Provavelmente solidão e vontade de fazer parte do grupo.
  • Como você acha que ele se sentiu por dentro? Talvez inseguro, sem saber como se aproximar de alguém.
  • O que alguém poderia fazer para ajudá-lo? Se aproximar com uma pergunta simples, como Rafael fez.

2. O Presente que Não Era o Que Lucas Esperava

No aniversário de Lucas, sua tia entregou, animada, um presente cuidadosamente embrulhado: um livro sobre plantas. Lucas, que estava esperando um brinquedo específico, sentiu uma pontinha de decepção — mas, ao ver o sorriso da tia, esperando ansiosa para ver sua reação, guardou a decepção para si e agradeceu com um sorriso verdadeiro. Mais tarde, folheando o livro sozinho, descobriu algumas curiosidades interessantes sobre plantas carnívoras, e acabou gostando mais do presente do que imaginava no início.

Mapa da Empatia

  • O que aconteceu? Lucas recebeu um presente diferente do que esperava.
  • O que o personagem sentiu? Uma mistura de decepção com a percepção do esforço e do carinho da tia.
  • Como você acha que a tia se sentiu ao dar o presente? Provavelmente animada e na expectativa de agradar.
  • O que alguém poderia fazer para ajudar nessa situação? Agradecer com sinceridade, reconhecendo a intenção por trás do presente.

3. A Menina que Queria Brincar Sozinha

A Menina que Queria Brincar Sozinha, desenhando no pátio enquanto uma colega se aproxima.

No recreio, Duda se sentou em um canto do pátio, desenhando sozinha, enquanto suas amigas insistiam para que ela fosse brincar de pega-pega com o grupo. Uma das amigas, Sara, ficou chateada e achou que Duda estava com raiva dela. Em vez de insistir mais, Sara decidiu se aproximar e perguntar: "Você está triste com alguma coisa?" Duda explicou que só queria um tempinho sozinha naquele dia, sem motivo especial, e que continuava gostando muito da amizade delas. Sara entendeu e voltou para o grupo, avisando as outras que Duda só precisava de um espacinho — e, no dia seguinte, Duda já estava de volta às brincadeiras, do jeito de sempre.

Mapa da Empatia

  • O que aconteceu? Uma criança preferiu ficar sozinha em vez de brincar com o grupo.
  • O que o personagem sentiu? (Do ponto de vista de Sara) Preocupação e um pouco de insegurança, achando que era rejeição.
  • Como você acha que a Duda se sentiu por dentro? Talvez só precisando de um momento tranquilo, sem relação com a amizade.
  • O que alguém poderia fazer para ajudar nessa situação? Perguntar em vez de supor, como Sara fez.

4. O Guarda-Chuva Compartilhado

O Guarda-Chuva Compartilhado, duas crianças dividindo um guarda-chuva pequeno na chuva.

Na saída da escola, começou a chover forte, e Ana percebeu que seu colega Miguel estava sem guarda-chuva, encolhido perto do portão. Ana tinha um guarda-chuva pequeno, mal dava para uma pessoa só — mas, mesmo assim, chamou Miguel para dividir o espaço apertado até o ponto de ônibus. Os dois chegaram um pouco molhados dos ombros, rindo da situação, mas bem menos encharcados do que Miguel ficaria sozinho. No dia seguinte, Miguel trouxe um guarda-chuva extra "para o caso de precisarem dividir de novo".

Mapa da Empatia

  • O que aconteceu? Um colega estava sem proteção contra a chuva.
  • O que o personagem sentiu? (Do ponto de vista de Miguel) Preocupação e desconforto por estar desprotegido, talvez até um pouco de vergonha.
  • Como você acha que ele se sentiu quando a Ana ofereceu ajuda? Provavelmente aliviado e grato pelo gesto.
  • O que alguém poderia fazer para ajudá-lo? Oferecer para dividir, mesmo com um recurso limitado, como Ana fez.

5. O Desenho que Ninguém Entendeu

Na aula de artes, Beto desenhou algo que, para ele, representava seu cachorro correndo no parque — mas, para os colegas, parecia só um monte de rabiscos sem sentido. Alguns riram, achando engraçado tentar adivinhar o que era. Beto ficou com o rosto vermelho, sem querer mostrar o desenho para mais ninguém. Uma colega, Yasmin, se aproximou e perguntou, com curiosidade genuína: "Me conta o que você desenhou?" Beto explicou cada parte, e Yasmin, prestando atenção de verdade, comentou que agora conseguia enxergar o cachorro correndo. Beto se sentiu compreendido, e o resto da turma, vendo o interesse de Yasmin, também pediu para ele explicar o desenho.

Mapa da Empatia

  • O que aconteceu? Um desenho foi mal compreendido e algumas crianças riram dele.
  • O que o personagem sentiu? Vergonha e vontade de esconder o próprio trabalho.
  • Como você acha que ele se sentiu quando a Yasmin perguntou sobre o desenho? Provavelmente aliviado por alguém querer entender, em vez de julgar.
  • O que alguém poderia fazer para ajudá-lo? Perguntar com curiosidade genuína, em vez de rir ou ignorar.

O que perguntar depois de uma história sobre empatia?

O que o personagem estava sentindo?

Uma pergunta inicial simples, para ajudar a criança a nomear a emoção presente na história.

Como você acha que ele se sentiu naquela situação?

Convida a criança a se aprofundar um pouco mais, imaginando a experiência interna do personagem, não só o que aconteceu por fora.

O que poderia fazer para ajudar?

Direciona a atenção para possíveis atitudes de cuidado, sem exigir uma única resposta certa.

Você já viveu algo parecido?

Conecta a história à experiência da criança, sem obrigar — se ela não quiser compartilhar, tudo bem.

Como desenvolver a empatia no dia a dia

Dê espaço para a criança falar sobre seus próprios sentimentos

Uma criança que se sente ouvida sobre o que ela mesma sente costuma ter mais facilidade para reconhecer e respeitar os sentimentos dos outros.

Ajude-a a perceber diferentes pontos de vista

Em situações do dia a dia, perguntas como "como você acha que ele se sentiu?" ajudam a criança a praticar a troca de perspectiva fora das histórias também.

Valorize atitudes de cuidado e consideração

Reconhecer, com elogios específicos, quando a criança demonstra empatia ("foi muito legal você ter perguntado se ele estava bem") reforça esse tipo de atitude.

Use situações reais como oportunidades para conversar

Situações do cotidiano — um colega chorando na escola, um vizinho triste — também podem virar boas oportunidades de conversa, do mesmo jeito que as histórias.

Quando a criança se torna protagonista da história

Uma história personalizada pode aproximar a criança da narrativa

Quando a criança reconhece uma situação parecida com a sua dentro de uma história, a reflexão sobre empatia tende a ficar mais próxima e concreta.

Criando aventuras que trabalham valores e sentimentos

Para quem quer ir além da adaptação em casa, existem livros infantis personalizados em que a criança pode ser protagonista de uma aventura que também explora valores como empatia, cuidado e amizade. Isso não substitui as conversas do dia a dia, mas pode ser mais uma forma de leitura e reflexão em família.

Criança sorrindo ao segurar um livro infantil personalizado em um ambiente acolhedor.

Conclusão

Empatia não é uma lição que se aprende de uma vez só — é algo que se pratica aos poucos, história após história, situação após situação. Para continuar explorando o cluster de emoções e valores infantis, vale conferir também nossos guias sobre histórias sobre ciúmes, histórias para falar sobre frustração, histórias sobre coragem e histórias para falar sobre raiva.

Histórias podem abrir espaço para conversar sobre sentimentos, amizade e cuidado. E quando a criança também pode ser a protagonista, a experiência fica ainda mais especial. Conheça nossos livros infantis personalizados.